15 de dezembro de 2016

Palato Ogival

O palato ogival mostra algumas alterações e batem com algumas coisas que nossas filhas tem. A minha baba muito e tem muito bruxismo à noite além respira com a boca aberta. Sempre teve uma respiração tipo ronco quando bebê e também nasceu com refluxo. Levei no Otorrino, e constatamos na época adenoide também, e fizemos um tratamento e melhorou. Ela ainda respira de boca aberta mas também é devido à alterações na mandíbula que é da ST, mas na parte respiratória ela está ótima. Nasceu com refluxo voltava leite pelo nariz e eram jatos de leite nos vômitos e eu ficava apavorada. Ficamos por anos tratando, a cama sempre em posição inclinada, dava bem devagarinho o leite. Foram anos de acompanhamento, medicamentos, exame de endoscopia e Deglutograma.
Abaixo tem a definição e um artigo a respeito. 


O que é Palato ogival?

É quando o céu da boca é fundo ou seja alto dentro da boca . .

A língua não consegue tocar o céu da boca , na sua plenitude , por estar  muito alto.

Como é fundamental que a língua toque o céu da boca a cada deglutição  o que acontece cerca de 2 a 3 mil vezes ao dia, este contato é fundamental para o equilíbrio durante o  desenvolvimento, e também para manter o formato do osso do céu da boca .

Como isto não acontece,ocorre uma  alteração na posição dos dentes,  comprometendo  o seu sorriso em decorrente do formato da arcada dentaria ficar  errada.



O adolescente respirador bucal 


Autores: Teresa Cristina dos Reis Carvalho Quaglia1


A respiração nasal é essencial ao bem-estar do organismo e ao desenvolvimento harmonioso da face.

Respirar pela boca é transgressão dessa função vital e não apenas um mau hábito, mas um distúrbio que traz inúmeras conseqüências, como alterações posturais, infecções das vias aéreas superiores, má oxigenação do cérebro, dificuldades alimentares e atraso no crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes.

O crescimento craniofacial harmonioso necessita da respiração nasal, do bom funcionamento do sistema estomatognático (boca, músculos faciais e ossos) e do perfeito vedamento labial.


ANATOMIA NASAL 

A parede medial é composta pelo septo nasal, e a parede lateral compreende: a) vestíbulo e válvula nasais (provocam resistência ao fluxo aéreo); b) conchas ou cornetos nasais (aumentam a superfície mucosa e regulam o fluxo de ar através da alternância do conteúdo vascular); e c) meatos: inferior - desemboca o canal nasolacrimal; médio - desembocam os ósteos dos seios anteriores (maxilares, etmoidais anteriores e frontal); superior - desembocam os ósteos dos seios posteriores (etmoidais posteriores e esfenoidal).


FISIOLOGIA NASAL 

Funções do nariz: 

1. reflexógena (reação vasomotora);

2. corredor de drenagem (através do transporte mucociliar); 

3. fluxo aéreo nasal; 

4. aquecimento do ar inspirado; 

5. umidificação do ar inspirado; 

6. filtração do ar (através das vibrissas e do muco); 

7. iniciador das respostas imunes para antígenos inalados; 

8. olfato; 

9. fonação (ressonância das consoantes nasais M e N); 

10. estética (auto-estima, características raciais).


DEFINIÇÃO DA SÍNDROME DO RESPIRADOR BUCAL 

A síndrome do respirador bucal se caracteriza por uma obstrução das vias aéreas superiores que leva o paciente ao hábito de respirar pela boca. Como conseqüência ocorre uma adaptação postural, que é seguida por modificações nas arcadas dentárias e, posteriormente, no esqueleto ósseo da face, além de infecções e má oxigenação cerebral.


CAUSAS 

OBSTRUTIVAS 

Hipertrofia de vegetações adenóides.
Rinites crônicas: alérgica, infecciosa, por drogas, hormonal e idiopática.
Por irritantes, atrófica.
Tonsilite crônica hipertrófica.
Desvio septal.
Massas nasais: pólipos, corpos estranhos, tumores.
Fossas nasais estreitas: síndromes.
Macroglossias.
Síndrome de Pierre Robin (hipoplasia mandibular).


NÃO-OBSTRUTIVAS 

Insuficiência labial.
Hábito vicioso



SINAIS E SINTOMAS 

Alteração: face, oclusão, postura, equilíbrio e marcha; fonação, dicção, audição, olfato e paladar; mastigação, deglutição, digestão e eliminação.
Vícios e hábitos.
Distúrbios de crescimento, desenvolvimento, concentração, atenção, aprendizado e sono.
Infecções respiratórias.
Cáries e gengivites.
Cansaço físico (preguiça) e fadiga.
Roncos, baba, boca aberta, apnéias noturnas, bruxismo e boca seca.
Alteração de comportamento: retraimento, prostração e derrotismo.



ALTERAÇÕES MORFOFUNCIONAIS DA SÍNDROME DO RESPIRADOR BUCAL 

ALTERAÇÕES NA REGIÃO ORONASOFARINGIANA 

1. Nariz: a) narinas: perdem volume e elasticidade pelo desuso; tornam-se estreitadas e achatadas; b) mucosa nasal: atrofiada pelo desuso; voz anasalada; ação bacteriostática perdida, acarretando infecções; olfato prejudicado (e concomitantemente o paladar, levando a perda do apetite); e c) cornetos: ingurgitados.

2. Nasofaringe: a) tecido linfóide hiperplasiado; b) hiperplasia das adenóides levando à oclusão da tuba auditiva, o que acarreta diminuição da audição (por otite média com efusão ou disfunção tubária).

3. Cavidade oral: a) lábios: flácidos, abertos; lábio superior hipotônico, encurtado e elevado sobre os dentes incisivos; lábio inferior pesado e evertido, abaixo e atrás dos incisivos superiores - a ação modeladora dos lábios sobre os incisivos superiores está perdida, acarretando protusão dos incisivos superiores; b) gengivas: hipertrofiadas e inflamadas (gengivite); c) língua: suspensa entre as arcadas ou no assoalho da boca (perda da ação modeladora sobre o palato e prejuízo da sua tonicidade); d) maxila: formato em V (devido à contração dos segmentos bucais e à protrusão dos dentes anteriores); palato em ogiva (fundo) e atrésico; e) mandíbula: retraída, mantendo a boca aberta, acarretando má oclusão (mordida aberta).


ALTERAÇÕES POSTURAIS 

1. Face: alongada e estreitada (fácies adenoidiana); protusão da maxila e retrusão da mandíbula; olhar embaçado, boca aberta, narinas estreitadas. Aparência abobalhada, distraído, ausente.

2. Cabeça: Para respirar melhor o respirador bucal flete o pescoço para frente, retificando o trajeto das vias aéreas superiores para o ar chega mais rápido aos pulmões.

3. Pescoço, tórax, abdome e membros:
a) pescoço: flexão deste para frente; comprometimento da musculatura do pescoço e cintura escapular; coluna cervical retificada;

b) tórax: omoplatas elevadas; região anterior deprimida; acentuação da cifose torácica; pequena ação do diafragma, causando relaxamento;

c) abdome: o relaxamento do músculo reto abdominal associado a ingestão de ar causa distensão abdominal; acentuação da lordose;

d) membros: superiores - braços posicionados para trás; inferiores - pés chatos. Para equilibrar o corpo que tende a ir para frente e para baixo, o respirador bucal faz compensações posturais que afetam o equilíbrio do corpo, causando tropeços e quedas.

Todas essas alterações são mecanismos de compensação e adaptação, sendo contínuas e cumulativas.


ALTERAÇÕES RESPIRATÓRIAS 

O ar que entra pela boca sem a ação das narinas (filtragem, aquecimento, umidificação e ação microbicida) é de baixa qualidade e compromete a hematose (trocas gasosas).

Observam-se então cansaço físico; apnéia noturna; deglutição de ar; infecções do aparelho respiratório; má oxigenação cerebral (com alterações no traçado do EEG), acarretando dificuldade de atenção e concentração e levando a baixos rendimentos escolar e intelectual e a alterações do sono.


ALTERAÇÕES DO METABOLISMO BASAL 

A mastigação deficiente (vertical, com perda dos movimentos de lateralidade) faz com que o respirador bucal não consiga macerar folhagens e fibras. Acrescentem-se a isso a diminuição do paladar e as infecções de repetição. Conseqüentemente esse paciente alimenta-se mal e pouco, além de deglutir ar (engole e respira ao mesmo tempo), acarretando prejuízo na absorção de alimentos, flatulência e prejudicando o expelir do bolo fecal.


DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME DO RESPIRADOR BUCAL 

O diagnóstico é feito através de: 

1. exame físico: cavidades oral e nasal (endoscópico) e ouvido; exame físico geral; 

2. avaliação da função respiratória; 

3. exames radiográfico e tomográfico: 

raios X cavum: avaliar o perfil mole da face e o trajeto das vias aéreas;
raios X dos ossos da face: avaliar crescimento e desenvolvimento dos ossos;
panorâmicas dentárias;
raios X da coluna vertebral e dos ossos da mão: avaliar a postura e a idade óssea;


4. fotográfico: comparar os resultados; 

5. outros: teste de sensibilidade cutânea (alergia), avaliação audiométrica.


TRATAMENTO DA SÍNDROME DO RESPIRADOR BUCAL 

A medicina dividiu a face em especializações, mas o organismo não respeita essas divisões. A face funciona como um todo harmônico, portanto, para o tratamento desta síndrome a integração entre as especialidades é imprescindível. A consciência do enfoque interdisciplinar na abordagem desta síndrome é o paradigma norteador do êxito terapêutico. O ideal é interceptar a presença da respiração bucal tão logo seja percebido o processo e interromper o ciclo de compensações e adaptações posturais. O grau de intensidade das alterações estruturais está diretamente relacionado ao tempo de evolução da síndrome e à intensidade da obstrução.

1. Otorrinolaringológico: é o tratamento da causa. Pode ser clínico: rinites; cirúrgico: hipertrofia das adenóides, pólipos, septo e tumores.

2. Odontológico: dentística: cáries; endodontia: tratamento de canal; periodontia: gengivites; exodontia: extrações; ortodôntico corretivo: através do uso de aparelhos fixos e/ou móveis; cirúrgico bucomaxilofacial: correção das deformidades ósseas.

3. Fonoaudiológico: consiste em reabilitação miofuncional e reeducação - conscientização respiratória e postural.

4. Nutricional: consiste em orientar o consumo de alimentos com alto teor calórico; alterar a consistência até a ingesta preferencial de alimentos mais sólidos e evitar dietas cariogênicas.

5. Outros: ortopédico (deformidades); fisioterapêutico (postural); saúde mental (suporte psicológico).

Os benefícios do tratamento combinado são essenciais no tocante a imagem corporal, estética, fala e crescimento e desenvolvimento do adolescente.


PREVENÇÃO DA SÍNDROME DO RESPIRADOR BUCAL 

Inicia-se desde o nascimento: 

estimulando a amamentação materna por período superior a oito meses; em caso de uso de mamadeira, manter o bico original para estimular a sucção, bem como usar bicos ortodônticos;
desencorajar o uso de chupetas, canudos, chupar dedo e quaisquer outros hábitos viciosos;
manter boa higiene bucal (inclusive com os dentes decíduos);
estimular a mastigação correta dos alimentos (lateralização);
estimular o consumo de alimentos fibrosos, duros e secos e evitar os liquefeitos para exercitar os maxilares;
estimular exercícios faciais (estalar a língua, assobiar e bochechar).



Créditos de parte desse artigo: 

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